Está montando um motorhome? Inclua cintos de segurança de três pontos no projeto

Escolher o veículo, desenhar os móveis e planejar a cama costuma ocupar boa parte da atenção de quem está montando um motorhome. Algumas decisões de segurança, porém, precisam ser tomadas antes da marcenaria. Entre elas estão a quantidade de passageiros, a posição dos bancos e o tipo de cinto instalado em cada assento.

Essas escolhas interferem na distribuição interna, nas ancoragens, no peso do veículo e na regularização da transformação. Alterá-las quando o motorhome já está pronto pode exigir mudanças no piso, nos móveis e até na estrutura.

Veja os principais cuidados que devem entrar no projeto.

Defina quantas pessoas viajarão no motorhome

A capacidade para dormir e a lotação do veículo são informações diferentes.

De acordo com a Resolução CONTRAN nº 743/2018, a lotação do motorhome fica limitada ao número de posições de assento equipadas com cintos de segurança individuais, incluindo o lugar do motorista.

Um motorhome pode ter camas para quatro pessoas e estar regularizado para transportar apenas três. Durante o deslocamento, todos os ocupantes devem permanecer sentados e utilizando os respectivos cintos.

Por isso, a primeira etapa do projeto deve responder a algumas perguntas:

  • Quantas pessoas viajarão no veículo?
  • Onde cada passageiro ficará sentado?
  • Quais bancos serão usados durante os deslocamentos?
  • Em qual direção esses assentos ficarão posicionados?
  • Haverá espaço adequado para cintos, ancoragens e apoios de cabeça?

Sofás, camas e bancos sem cintos regularizados não contam como lugares de viagem.

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Priorize cintos de segurança de três pontos

O cinto de três pontos passa pelo ombro, pelo tórax e pela região pélvica. Essa configuração distribui as forças de uma colisão por uma área maior do corpo quando comparada ao modelo subabdominal.

A legislação exige esse tipo de cinto em diferentes posições do motor-casa. Segundo a Resolução CONTRAN nº 951/2022, os assentos dianteiros próximos às portas e os assentos traseiros laterais voltados para a frente devem receber cintos de três pontos com retrator.

A norma permite cintos subabdominais em algumas posições intermediárias e em determinados assentos que não estejam voltados para a frente. A exigência aplicável dependerá da posição, da orientação do banco e das características do veículo.

Mesmo nos casos em que o modelo subabdominal é permitido, vale avaliar a instalação do cinto de três pontos desde o início do projeto. Essa decisão deve ser validada por um profissional habilitado e pela Instituição Técnica Licenciada responsável pela inspeção.

Banco, cinto e ancoragem devem ser planejados juntos

Comprar um banco e instalar um cinto posteriormente não resolve toda a questão. A segurança depende do conjunto formado pelo assento, pelo apoio de cabeça, pelo cinto e pelos pontos que prendem esses componentes ao veículo.

A Resolução 951 estabelece que os cintos atendam à ABNT NBR 7337. A localização e a resistência das ancoragens devem seguir a ABNT NBR 6091. A Resolução CONTRAN nº 997/2023 atualizou as referências de ensaios aceitas para cintos, ancoragens e apoios de cabeça.

Nos assentos equipados com cinto de três pontos, o apoio de cabeça também é obrigatório. Os bancos voltados para trás devem contar com esse componente.

Essa parte do projeto exige avaliação técnica. A instalação envolve a resistência da estrutura, a posição dos pontos de fixação e a geometria do cinto sobre o corpo do passageiro.

Considere o peso completo do motorhome

A transformação precisa respeitar os pesos e as capacidades estabelecidos pelo fabricante do veículo-base. O cálculo deve considerar tudo o que será acrescentado durante a montagem e durante o uso.

Entram nessa conta:

  • Revestimentos e isolamento.
  • Móveis e bancadas.
  • Bancos e camas.
  • Baterias e equipamentos elétricos.
  • Geladeira e outros eletrodomésticos.
  • Reservatórios de água.
  • Passageiros.
  • Bagagens e utensílios.

Um reservatório com 100 litros de água, por exemplo, acrescenta aproximadamente 100 kg ao veículo quando está cheio. Baterias, móveis e equipamentos também podem consumir rapidamente a capacidade disponível.

A lotação, o Peso Bruto Total e a Capacidade Máxima de Tração passam a constar na documentação do motorhome. O peso precisa ser acompanhado durante a construção para evitar que o projeto pronto ultrapasse os limites permitidos.

Se você está investindo na construção e nos equipamentos do seu motorhome, também pode conhecer como funciona a locação pela LIBBER e avaliar essa possibilidade depois que o veículo estiver pronto.

Preveja a fixação de móveis e equipamentos

A Resolução 743 determina que o habitáculo não tenha equipamentos, acessórios ou objetos soltos capazes de oferecer risco aos ocupantes.

Essa exigência precisa ser considerada no desenho dos móveis. Armários, geladeira, baterias, reservatórios e outros equipamentos pesados devem ter sistemas de fixação adequados. Portas e gavetas também precisam permanecer fechadas durante o deslocamento.

O planejamento pode incluir:

  • Travas em gavetas e armários.
  • Compartimentos fechados para objetos pesados.
  • Suportes próprios para equipamentos.
  • Local seguro para guardar mesas e peças removíveis.
  • Fixação estrutural dos móveis e reservatórios.

A organização interna deve ser testada considerando curvas, frenagens e trechos irregulares. Um objeto que permanece no lugar com o veículo parado pode se deslocar durante a viagem.

Preserve a visibilidade do motorista

Móveis, cortinas, televisores e alterações na carroceria não podem prejudicar o campo de visão dianteiro nem o uso dos retrovisores externos.

Esse cuidado deve orientar a altura dos armários próximos à cabine, a posição das janelas e a instalação de equipamentos. A avaliação precisa ser feita com o motorista sentado em sua posição normal e com o motorhome preparado para circular.

Consulte o Detran antes de iniciar a transformação

A modificação de um veículo já registrado exige autorização prévia do órgão responsável pelo seu registro e licenciamento. O procedimento pode variar entre os estados, por isso a consulta deve ser feita no Detran onde o veículo está registrado.

O processo geralmente inclui:

  1. Solicitação da autorização para alterar as características do veículo.
  2. Execução da transformação.
  3. Inspeção em uma Instituição Técnica Licenciada.
  4. Emissão do Certificado de Segurança Veicular.
  5. Vistoria e apresentação dos documentos ao Detran.
  6. Atualização do CRLV-e com o tipo motor-casa.

O Detran-RS, por exemplo, orienta que a autorização seja solicitada antes da modificação e que o veículo passe posteriormente por uma ITL para a emissão do CSV.

Conversar previamente com o Detran e com a instituição que fará a inspeção ajuda a verificar quais documentos, componentes e ensaios serão exigidos no projeto.

Quando seu motorhome estiver pronto e regularizado, ele também poderá ter utilidade nos períodos em que você não estiver viajando. Conheça como funciona disponibilizá-lo para locação pela LIBBER.

Checklist para quem está montando um motorhome

Antes de avançar com a construção, confira:

  • Quantidade de assentos destinados à viagem.
  • Cinto individual em cada posição.
  • Possibilidade de utilizar cintos de três pontos.
  • Orientação dos bancos.
  • Apoios de cabeça exigidos.
  • Pontos estruturais de fixação dos bancos e cintos.
  • Peso dos móveis, equipamentos e reservatórios.
  • Capacidade para passageiros e bagagens.
  • Fixação de móveis e objetos.
  • Campo de visão do motorista.
  • Autorização prévia do Detran.
  • Exigências da Instituição Técnica Licenciada.
  • Emissão do CSV e atualização do CRLV-e.

A posição dos passageiros influencia todo o restante do projeto. Definir bancos, cintos e ancoragens antes da marcenaria reduz a possibilidade de retrabalho e permite que a transformação seja avaliada tecnicamente desde as primeiras etapas.

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